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Vigília no Parque Diva Paim Barth lembra as 82 vítimas de feminicídio no Paraná

Vigília no Parque Diva Paim Barth lembra as 82 vítimas de feminicídio no Paraná

Quem passou pelo Parque Diva Paim Barth no final da tarde e início da noite de ontem (07) se deparou com um cenário inusitado no canteiro entre as Ruas Raimundo Leonardi e Pedro dos Santos Ramos. Uma vigília foi organizada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres e pela Secretaria de Segurança e Trânsito por meio da Patrulha Maria da Penha para lembrar as vítimas de feminicídio no Paraná e os 13 anos da Lei Maria da Penha.

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 Feminicídio é o homicídio cometido contra mulheres que é motivado por violência doméstica ou discriminação de gênero. Entre maio de 2018 e maio de 2019 foram registradas 82 mortes de mulheres no Estado do Paraná. Duas destas vítimas de feminicídio eram de Toledo.

 Cada uma destas mulheres assassinadas foi representada com uma cruz e uma vela durante a vigília. Também foram distribuídos materiais educativos aos motoristas e pessoas que passavam pelo Parque Diva Paim Barth.

 “Sempre comentamos que uma mulher é um número alto. Seria importante não ter nenhuma mulher vítima de feminicídio. Nesta data tão importante, queremos mostrar por meio destas 82 cruzes, que 82 vidas morreram por algo banal. Lembrar que as pessoas que cometeram esses crimes acabaram com muitas famílias e tiraram o amor da vida de alguém”, frisou a Secretária de Políticas Para Mulheres, Larissa Ribeiro.

 Ela salientou ainda que Toledo, por ser uma cidade com 140 mil habitantes, tem um número elevado de mulheres vítimas deste tipo de violência. “Para uma cidade onde se tem qualidade de vida, onde há respeito, estrutura e tudo para dar certo, nossa luta é fazer com que esse número diminua, quanto menos casos, melhor será”, salientou.

Patrulha Maria da Penha

Somente no primeiro semestre de 2019 foram recebidas 261 Medidas Protetivas de Urgência pela Patrulha Maria da Penha. Atualmente, a PMP realiza o atendimento para 416 mulheres no município. Já foram realizadas 686 visitas domiciliares.

Maria da Penha – 13 anos da Lei

O dia 07 de agosto é marcado pela comemoração da Lei 11.340/06. Além da vigília, a data também foi marcada por uma ação na Feira do Produtor no Centro de Toledo. Uma escrita no quadro em frente a barraca dizia “Trocamos um pedaço de bolo por uma conversa sobre a Lei Maria da Penha”. E assim o assunto era iniciado e chamava a atenção de cada vez mais pessoas.

A ação envolveu o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, o Núcleo Maria da Penha (Nunape), a Secretaria de Políticas para Mulheres e outros parceiros e apoiadores. Panfletos educativos foram entregues. No local também ficou disponível o Relógio da Violência informando que a cada 1,4 segundos uma mulher é vítima de assédio no Brasil.

“O que muda o comportamento da sociedade é a educação. Temos que ensinar a nossos filhos desde pequenos, na escola, que a mulher merece respeito (…) Tenho fé que lá na frente os homens aceitarão as mulheres como iguais. Nesse momento, a Lei Maria da Penha se tornará desnecessária”, declarou a própria Maria da Penha em uma publicação do Jornal do Senado em 2013.

Segundo a Presidente do Conselho dos Direitos da Mulher e Cientista Social do Numape, Camila Alves, “o que tem para se comemorar é a conquista de uma mulher que garantiu o direito dela de fazer justiça de milhares de mulheres. O nosso país é o 5° que mais mata mulheres no mundo e a cada dia morrem 13 mulheres vítimas de feminicídio. Esses são números alarmantes e é assim no mundo inteiro, não só no Brasil.  A própria Maria da Penha fala que a principal forma de se combater a violência é a partir da educação”.

Tanto gestores públicos, pesquisadores, quanto várias mulheres admitem que houveram avanços significativos e que justificam a comemoração desta data. Pois ao longo da história são várias as formas de violência em que as mulheres são submetidas, devido a vários fatores culturais de nossa sociedade.

São violências não apenas físicas, mas também psicológicas, econômicas, sociais, patrimoniais, entre outras. A dona Maria Arend (56) acredita que a criação da lei contribuiu para a diminuição do número de agressões. “Ela é válida. Pena que muitas vezes não é cumprida. Parece um tabu, as pessoas sofrem violência, mas tem medo de falar a respeito ou de denunciar. Talvez por medo de sofrer mais violência. O diálogo pode auxiliar a mudar isso tudo”, comentou.

Medo

A teoria da dona Maria é confirmada pela Agricultura Roseli Schulz (46). “Eu já sofri agressões do meu primeiro marido. Eu tinha muito medo de denunciar, porque ele ameaçava de fazer mau para meus filhos. Só depois que consegui separar é que denunciei, mas é algo que marca e machuca muito. Não só a agressão física, mas a verbal também. Alguém fala que vai fazer mau para seus filhos pequenos, já pensou como a gente se sente? Naquela época não existia a Lei Maria da Penha. A gente não se sentia segura em lugar nenhum, hoje pelo menos existe a lei pra nos amparar”, relatou.

Rede de Proteção

Toledo conta com uma Rede de Proteção para a mulher bem estruturada. É uma das poucas cidades do Estado que conta com uma Delegacia de Atendimento à Mulher localizada na Vila Pioneiro, contato (45) 3378-7300.

 Também possui uma Secretaria Municipal de Política para Mulheres, onde são realizados atendimentos e orientações de psicólogo e assistente social, escuta qualificada, além de realizar os encaminhamentos necessários. Contato (45) 3379-4099.

Patrulha Maria da Penha, para realizar o monitoramento das medidas protetivas de urgência em parceria com o Tribunal de Justiça do Paraná.

Telefones úteis para atendimentos à mulheres: Disque 180, recebe denúncias de violência e orienta as mulheres sobre seus direitos e sobre a legislação vigente, encaminhando-as para outros serviços quando necessário.

Emergência policial 190 e Emergência de saúde 192.

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